Curtas
- O primeiro critério de desempate no Campeonato Espanhol é confronto direto. Como Barcelona e Real Madrid ainda não fizeram os dois duelos entre si, a imprensa espanhola coloca a classificação de acordo com o saldo de gols. Assim, o Real aparece como líder.
- No entanto, como o Barcelona venceu o clássico do primeiro turno (1 a 0), é legítimo dizer que o Barça está em vantagem no confronto direto e é, no momento, o líder.
- O momento da seleção espanhola é tão bom que até os catalães deixam um pouco da birra de lado e deixam evidenciar algum carinho pelo time.
- A presidência do Partido Popular na câmara municipal de Barcelona sugeriu que a capital da Catalunha se candidate para receber o amistoso Espanha x Polônia, em 8 de junho, último da Fúria antes de embarcar para a África do Sul.
- A última partida da Espanha em Barcelona foi em 2004, em amistoso contra o Peru no estádio Olímpico de Montjuïc. O último jogo oficial foi contra a Dinamarca em 1975, nas Eliminatórias da Eurocopa.
- Foi surpreendente o empate do Barcelona com o Almería, mas vale destacar que os andaluzes não perdem há seis rodadas. Em casa, a última derrota foi em novembro.
Postado em 8/3/2010 às 1:56 por Ubiratan Leal
Van der Vaart: gol anunciado
Faltava mais de meia hora para terminar Real Madrid x Sevilla, aí considerando os acréscimos. Sérgio Ramos acabara de empatar a partida em 2 a 2 e os madridistas claramente se atirariam ao ataque em busca da vitória – e da liderança do Campeonato Espanhol. Os andaluzes ainda tinham o contra-ataque, e contavam com jogadores que poderiam decidir o jogo dessa forma, mas era evidente a todos que os três pontos ficariam no Santiago Bernabéu. E ficaram, com gol de Van der Vaart.
É possível fazer uma longa análise tática do Real Madrid 3x2 Sevilla deste sábado. De como Cristiano Ronaldo fica como segundo atacante, pela direita, e Marcelo e Kaká formaram a dupla de armação do Real. De como essa formação ainda não flui tão bem, apesar de o melhor do mundo de 2007 já se comunicar com o melhor do mundo de 2008. De como o Sevilla não conseguiu usar a velocidade de Kanouté, Perotti e Jesús Navas para puxar contra-ataques (usando Negredo como referência) no segundo tempo. De como a entrada de Guti e Van der Vaart (e a ida de Marcelo para a lateral, no lugar de Arbeloa) deu mais força ao meio-campo madridista. De como Raúl fez o Real atuar com três atacantes nos minutos finais. De como...
Realmente, tudo isso aconteceu e até dá para usar esses argumentos para explicar a importante virada merengue. Mas o futebol não é apenas esquemas táticos e nem sempre eles são o caminho adequado para retratar o que acontece em campo. Como não foi na partida do Santiago Bernabéu.
Depois de um primeiro tempo morno, em que o Real continuou sem convencer e o Sevilla estava na frente devido a um gol nos minutos iniciais, o duelo foi basicamente psicológico. Os madridistas até tomaram um segundo gol, em raro frango de Casillas, mas agiram como o cachorro grande que ladra mais grosso e faz o menor se esconder atrás do dono. O Real simplesmente mostrou que era maior. A ponto de o oponente se encolher e aceitar a derrota.
Quando Cristiano Ronaldo fez o primeiro gol merengue, aos 14 minutos, o Sevilla se escondeu atrás da perna do dono. O time que, mesmo na casa do adversário, mostrava um certo desprendimento deixou o campo. No lugar ficou uma equipe intimidada, que não confiava mais na possibilidade de usar o contra-ataque, que não sabia como parar o oponente.
O Real Madrid nem precisou de um futebol brilhante para encontrar os dois gols que faltavam. Bastou lutar muito pela bola – e não se pode falar que esse time não tem garra –, empurrar os andaluzes para seu campo e finalizar sempre que possível. Foram dois gols, três bolas na trave, algumas boas defesas de Palop e outras que passaram a centímetros da meta. Um massacre.
Não é a primeira vez que o Real Madrid usa seu peso para vencer nesta temporada. Mas foi a mais importante até agora. Isso não bastará para superar o Barcelona no confronto direto de abril, mas talvez nem seja preciso. Garantindo-se contra os pequenos, os merengues já alcançaram os catalães na liderança.
Sí, se puede
A Espanha é campeã da Eurocopa e só perdeu uma partida – para os Estados Unidos na Copa das Confederações – nos últimos três anos. Ainda assim, há quem desconfie do status de favorito na Copa que a Fúria carrega ao lado do Brasil. Maldade. Ainda mais depois do que os espanhóis fizeram no amistoso contra a França na última quarta, em Saint-Denis.
Diante de uma seleção forte (a França tem problemas coletivos e de comando, mas não dá para desfazer uma equipe que tem Ribéry, Anelka, Henry, Gourcuff e Evra), o time de Vicente del Bosque se impôs de modo quase constrangedor. O esquema vitorioso na Eurocopa, com meias rápidos e de passes precisos construindo o jogo, continua forte. A defesa está ainda mais sólida, com o ascendente Piqué trazendo para a seleção o entrosamento que tem com Puyol no Barcelona.
Mas o melhor sinal que a Espanha deu foi ter opções táticas. Justamente o ponto fraco do Brasil de Dunga, que só se solta quando tem o contra-ataque ou bolas paradas à disposição. Fernando Torres não vive grande momento e poderia ser um ponto fraco na parte ofensiva. Não teve problema. O time deixou o 4-1-3-2 para se organizar no 4-2-3-1, com David Silva, Fàbregas e Iniesta formando um trio de mais que podiam avançar para fazer companhia a Villa no ataque. Importante lembrar que o time também já jogou bastante no 4-1-4-1.
Outro problema do Brasil: falta de reservas em posições-chave. Dá para confiar em Adriano se Luís Fabiano tiver algum problema? E Júlio Baptista como reserva imediato de Kaká? Quem entra se Julio César não puder jogar?
Nisso os espanhóis já vão se cobrindo. Não há um reserva para a dupla Villa e Torres, mas o time já aprendeu a prescindir de um deles. No meio-campo, Fàbregas teoricamente é reserva de Xavi. Jesús Navas ganha espaço como substituto de Iniesta ou David Silva. Busquets, Xabi Alonso e Marcos Senna ficam como opções para duas vagas de volantes. Ainda faltam reservas nas laterais e na zaga, mas o esquema tático não precisa mudar por um ou outro desfalque, o que não ocorre no time de Dunga.
Isso significa que a Espanha é melhor que o Brasil? Não, porque o Brasil tem a seu lado a confiança de quem já foi campeão do mundo. Além disso, a Espanha tem grandes jogadores, mas não tem ninguém no nível de Kaká, por exemplo. De qualquer modo, é mais que legítimo colocar a Espanha entre os favoritos. É um time competitivo, que já provou ser vencedor, e que tem estrutura.
Comentários de Leitores
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Domionio
E por essas que eu não sou muito fan do campeonato espanhol onde temos duas equipes sempre brigando pelo titulo e com a obrigação de vencelo, principalmente o real, enquanto os de lutam por vagas em copas ou para se manterem na primeira!!!!!
Postado em 10/3/2010 às 20:03 por Marcio
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Domionio
E por essas que eu não sou muito fan do campeonato espanhol onde temos duas equipes sempre brigando pelo titulo e com a obrigação de vencelo, principalmente o real, enquanto os de lutam por vagas em copas ou para se manterem na primeira!!!!!
Postado em 10/3/2010 às 20:01 por Marcio
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Critério de desempate
Cláudio, conta saldo de gols, e conta gol fora de casa.
Postado em 8/3/2010 às 12:19 por Ubiratan
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Dúvida
No caso do desempate por confronto direto, vale saldo de gols e/ou gol fora de casa ou apenas a pontuação? Ou seja, se o Real vencer por 2 a 0, terá o desempate a seu favor? E se for 2 a 1, a vantagem seria do Barça?
Postado em 8/3/2010 às 10:32 por claudiork
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Observação
Ubiratan, apenas uma observação: o Partido Popular é o partido mais conservador da Espanha. Por isso, o fato de que eles tenham proposto Barcelona como local do amistoso da seleção da Espanha não deve ser entendido como um maior carinho do catalanismo para com a Roja, é mais uma provocação com o Partido Socialista da Catalunha e os partidos nacionalistas locais.
Postado em 8/3/2010 às 9:54 por alexandre.lema
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