Queria dividir com vocês esse texto, que considero um dos mais tocantes do Bindi:
Minha avó (Luiz Fernando Bindi)
"Dasayev; Sulakvelidze, Chivadze, Baltacha e Demianenko; Bessonov, Gavrilov, Bal e Daraselia; Shengelia e Blokhin. Esse era o time titular da União Soviética da Copa do Mundo de 1982.
Eu, com 9 anos de idade, era apresentado à família e a amigos da família como um prodígio, pois sabia os nomes de cor e salteado e, além disso, sabia também as pronúncias corretas. Todos se admiravam com aquela criança falando palavras tão difíceis e parabenizavam sempre a mesma pessoa: Wally Casciano, minha avó materna.
Ela, que me comprava figurinhas da Ping Pong para colecionar e decorar os nomes dos jogadores soviéticos, poloneses, argelinos e camaroneses.
Ela, que me criou quando minha mãe trabalhava longe de casa, de sol a sol.
Ela, que me fazia o café da manhã todos os dias, mesmo eu não gostando de tomar café da manhã, como não gosto até hoje.
Ela, que me aconselhava a escrever bonito, com “letra de bolinha”. Eu me esforçava, mas só o computador salvou-me dos meus garranchos.
Ela, que tinha carinho de mãe, afeto de mãe, docilidade de mãe e espírito de avó.
Ela, que cantava músicas para eu dormir quando eu ainda era um bebê de colo, naquelas que são minhas primeiras lembranças.
Ela, que ralhava comigo quando meus solitários futebóis de quintal usavam o portão de madeira da casa dela como gol.
Ela, que me levava e me recebia na porta de casa quando eu ia e voltava da escola.
Ela, que corria atrás de mim quando eu queria fugir das aulas.
Ela, que me acompanhava sempre, a todo instante e que tudo sabia da minha vida.
Ela, que sabia rir de todos os momentos, fossem eles bons ou nem tanto.
Ela, que amava o Brasil acima de tudo e sempre punha a mão no peito quando o Hino Nacional tocava antes de jogos da seleção.
Ela, que era mestra em imitações e nos fazia rir de tanta coisa.
Ela, que fazia o melhor bife na chapa que eu já conheci.
Ela, que eu tanto, tanto amei.
Ela, que me deixou há quase 20 anos, no dia mais triste que eu já senti na minha vida.
Ela, que me ensinou a ser um homem honesto e decente.
Ela, que me deu uma mãe maravilhosa.
Ela, que eu, sem ser católico, tem minhas orações diárias.
Ela, que eu nunca vou esquecer.
Nascimento; Carnera e Junqueira; Tunga, Dula e Tuffy; Avelino, Gabardo, Romeu, Lara e Imparato. Palmeiras campeão paulista de 1934. Time que minha avó decorou um dia e sempre, sempre repetia.
Hoje, 9 de março, seria aniversário da “Vovó”, como eu a chamava. Em algum lugar, toda a alegria, toda a vivacidade, toda a inteligência e todo o amor que dela emanavam estão levando a vida para alguém".
Retirado de: http://www.papodebola.com.br/bindifutebolclube/20060309.htm