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- O mercado na Espanha está agitado, assim como em qualquer nação europeia futebolisticamente importante nesta época do ano.

- David Villa segue como protagonista das possíveis transferências. O Real, segundo o diretor Jorge Valdano, desistiu do atacante. O Barça ainda não.

- Os merengues contrataram Benzema, ao Lyon, por € 35 milhões. Quero ver o Manuel Pellegrini escalar todo mundo...

- No Valencia, Edu rescindiu seu contrato e deve ser apresentado pelo Corinthians em breve.

- O Villarreal anunciou a contratação do zagueiro Ivan Marcano, de 22 anos, ex-Racing Santander. Marcano esteve na seleção espanhola que disputou o Europeu Sub-21.

- Já o Atlético de Madrid fechou com o veterano zagueiro Juanito, campeão europeu com a Espanha em 2008. O jogador de 32 anos deixou o rebaixado Betis a custo zero.

- Mais deste colunista em seu blog.

Ilusión madridista

Postado em 6/7/2009 às 11:58 por Gustavo Hofman


Kaká e os torcedores madridistas: relação de admiração

É comum ler ou ouvir críticas sobre a torcida do Real Madrid. Chatos, arrogantes, metidos, não sabem torcer, vão ao estádio apenas para assistir são algumas das maledicências ditas. Além, é claro, da clássica afirmação que “era o time do ditador Francisco Franco”. Tudo isso, de certa maneira, não está errado, mas é preciso pontuar algumas explicações.

Para tanto, as apresentações de Kaká e Cristiano Ronaldo no Santiago Bernabéu são emblemáticas. O brasileiro vestiu a camisa 8 do Real diante de 50 mil madridistas, enquanto o português vestirá o uniforme blanco pela primeira vez nesta segunda-feira – e são esperados 80 mil seguidores. Elas representam um sentimento comum a todos os apaixonados pelo Real Madrid: la ilusión.

Em espanhol, ilusión não pode ser traduzido simplesmente como ilusão. Representa algo maior. É quase uma utopia, algo praticamente impossível de ser alcançado, um sentimento puro, mágico. O jornalista John Carlin, no livro Anjos Brancos – que retrata os bastidores da primeira era Florentino Pérez no clube – descreve bem isso. E foi exatamente no período dos primeiro Galácticos que isso voltou a florescer em Madrid após muitos anos.

Com Figo, Zidane, Ronaldo, Beckham e cia os madridistas voltaram a ver um time como o dos anos 50 em campo, com Kopa, Di Stéfano, Puskas e Gento. Voltaram a sonhar, a ver o Real como o maior clube do mundo. Um time que não apenas vencia, mas dava espetáculo, reverenciava o futebol com belas jogadas, atletas extraordinários, partidas inesquecíveis.

Isso, naturalmente, sempre foi reforçado com a postura da capital espanhola. Centro da Espanha, conciliadora de todos os conflitos políticos no país (que são muitos), os madrilenos gostam de tudo isso. Madri é uma capital europeia, multicultural, com uma noite fantástica, museus espetaculares e muita história. Vive a cultura como poucas, mas sem perder o fervor das baladas.

A Espanha é um país muito tradicional – falo com conhecimento de causa, porque morei lá -, principalmente no interior. Outras regiões, como Andalucía, Castilla La Mancha e Asturias também valorizam demais seus costumes. Sem falar em comunidades independentistas, como País Vasco, Galicia e Cataluña (todas foram grafadas em espanhol neste parágrafo).

Por isso essa postura considerada arrogante dos madrilenos não é mero acaso. Eles são assim porque precisam ser para lutarem pelo que acreditam e buscam para seu país. Esse sentimento ser passado para o maior e mais tradicional clube da cidade é algo natural. O Atlético de Madrid não tem isso tão evidente por ser o patinho feio, o clube que não tem a maior torcida, sempre luta contra o vizinho gigante. Mas se o assunto é Madrid e a Espanha, os rojiblancos não diferem em nada dos merengues.

Em relação à Franco, pode-se afirmar que as atuais gerações são vítimas de um passado que elas não puderam escolher. O ditador espanhol gostava de um time como qualquer outra pessoa no mundo. Esse time era o Real Madrid. Tudo isso, conciliado ao que foi escrito nas linhas anteriores e a famigerada utilização do futebol com viés político, facilitaram a vida do clube nas décadas de 1950 e 60, majoritariamente.

Assim, ao longo dos anos, criou-se o conceito sobre o Real Madrid. Como eu disse no começo, não é algo mentiroso, mas antes de se criticar, é preciso compreender a dimensão social dos fatos.

Que fique bem claro: esse texto não é uma defesa pró-Real Madrid, e sim uma explanação sobre a questão futebol/história/sociologia.



Comentários de Leitores

 

Humm...

Certo! Apenas finalizando, acho que seu início interpretando o conceito de 'ilusion' foi bastante eficiênte. É bem expresso pelo prof. de história de 'Real Madrid o Filme' que no desfecho conclui que o Madrid seria aquilo que significa para cada um.

      Postado em 7/7/2009 às 21:01 por Alexandre Kazuo

Respostas

- Ernesto Valverde, que deixou o Olimpiakos, é o novo treinador do Villarreal.

- A maior interferência da ditadura de Franco no Atlético de Madrid foi quando ela obrigou o clube a mudar de nome em 1941: de Athletic Aviación para Atlético Aviación, porque o antigo fazia referência à parceria com o homônimo basco. Fora isso, nunca houve nada a mais.

- Madri é a essência da Espanha, junto com outras regiões centrais do país.

      Postado em 7/7/2009 às 8:49 por Gustavo

Espanha vs Madrid

Uma pergunta, como se deu a expansão territorial do império espanhol? A impressão que sempre tive era a de que Madrid se autoproclamava a própria Espanha. Madrid se vê como algo a parte da mesma forma que a Catalunha não se considera Espanha?

      Postado em 6/7/2009 às 21:09 por Alexandre Kazuo

Sobre o artigo

Muito interessante o seu artigo, Gustavo. No entanto, faço apenas uma ressalva. O futebol, como qualquer atividade humana, não deixa de estar ligado à política. A existência do esporte como entretenimento não deixa de ser uma visão ideologizada do corpo, da diversão e da atividade humana que serve há um propósito político específico. O que se pode dizer no caso do Real Madrid em específico é sua utilização partidária, o que é diferente de utilização política. No caso, em prol de um partido que visava centra

      Postado em 6/7/2009 às 18:43 por Pedro Henrique

Aléti

Eu já li algo como que o Franco poderia ter "patrocinado" o Atlético ao invés do Madrid. É verdade?

      Postado em 6/7/2009 às 14:45 por Yuri

Villarreal

O Submarino Amarelo já tem técnico?

      Postado em 6/7/2009 às 13:12 por Tuiuan

Excelente!

Grande texto. Antes de criticarmos a postura de qualquer torcedor, é bom antes verificar a sua razão histórica, as raízes culturais para este comportamento. Isso se aplica também não só aos torcedores do Real Madrid, mas também do Barcelona, Liverpool, Benfica, Juventus, Panathinaikos, Flamengo, São Paulo, Cruzeiro, Grêmio, etc...

      Postado em 6/7/2009 às 12:25 por Alexandre

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