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Troféu para a vergonha

Postado em 14/11/2006 às 0:00 por André Lacerda


Troféu para a vergonha

É impressionante a quantidade de jogos que não chegaram ao fim ou foram cancelados no Apertura 2006, em conseqüência da violência. Hoje em dia, o torcedor argentino não fica apenas esperando pelo resultado do seu time do coração. Ele também aguarda ansiosamente para saber se a partida vai ser realizada e se ninguém se machucará. No domingo passado, foi a vez de ser interrompido o clássico entre Independiente e Racing, no estádio Libertadores de América.

Pelo menos a etapa inicial teve o seu término. Nela, o Independiente marcou um gol, através de Montenegro. O mesmo atleta ampliaria a vantagem aos sete minutos do segundo tempo, se tornando um dos artilheiros da competição - ao lado de Palacio e Zárate. Esse foi um dos últimos lances interessantes. Aos 19, o árbitro Horacio Elizondo resolveu suspender o jogo, a pedido dos chefes da operação policial. Naquele momento, torcedores do Racing e policiais travavam um terrível duelo. Muitas pessoas foram parar na delegacia. Um outro grande grupo teve o hospital como destino.

Tudo começou quando torcedores do Racing destruíram banheiros do estádio, cujo dono é o Independiente. Em seguida, retiraram objetos que lá estavam e atiraram em direção à torcida adversária. Por último, decidiram acertar também a polícia, que respondeu com balas de borracha, gás lacrimogêneo e água. Caso existisse uma segurança perto dos banheiros, dificilmente a confusão se iniciaria. Outra falha havia acontecido na entrada, durante a revista, já que a torcida do Racing carregou consigo fogos de artifício e bombas.

Bem antes, a polícia já havia tido um trabalho difícil. Vários torcedores violentos (barrabravas) do Independiente conseguiram entrar no estádio no período da manhã, antes de sua abertura. A intenção era escapar da fiscalização. Imaginem os objetos que eles não carregavam! Quando a polícia chegou ao local onde se encontravam, expulsou-os de lá. Um dos integrantes da torcida resistiu e foi detido. Portanto, a torcida do Independiente foi composta somente por pessoas decentes.

O restante do tempo do jogo deverá ser disputado, apesar de o time visitante merecer perder os pontos, pois sua torcida foi quem originou o caos. Do lado do Racing, a mudança de datas não é nenhuma novidade. Seu compromisso anterior é um exemplo: no dia 8, o Racing enfrentou o Banfield. A partida deveria ter sido realizada em 28 de outubro, mas a iluminação não era adequada. Com apenas três jogadores considerados titulares, o Racing perdeu por 3 a 2. Terminava, assim, sua invencibilidade de seis rodadas (quatro vitórias e dois empates).

Pagés abriu o placar para o ‘Taladro’, aos dois minutos. Perto do encerramento da etapa inicial, o Racing marcou dois gols. No segundo tempo, porém, ocorreu outra virada. O Banfield não havia ganhado nenhum de seus cinco últimos jogos (quatro empates e uma derrota).

Assunto antigo...

No mesmo dia em que Banfield e Racing se enfrentaram, houve a continuação da partida entre Gimnasia La Plata e Boca, interrompida na sexta rodada após ameaças sofridas pelo árbitro Daniel Giménez. Apenas o primeiro tempo havia sido disputado. Nele, o Gimnasia foi o vencedor: 1 a 0. Todavia, a segunda etapa teve um baile dos ‘Xeneizes’.

Quatro minutos após o recomeço, o Boca já ganhava por 2 a 1. Quando o árbitro apitou o encerramento do jogo, o placar era de 4 a 1. Com os três pontos, o Boca aumentou a diferença em relação aos vice-líderes.

Embora a qualidade do Boca seja indiscutível, o resultado poderia ter sido diferente, se não tivesse acontecido um fato. Quem resume bem o que houve é o lateral-direito Ariel Franco, do Gimnasia. Segundo ele, a partida não foi normal e sua equipe jogou com medo do que havia ocorrido durante a concentração. Nela, estiveram presentes torcedores do Gimnasia, que fizeram ameaças ao elenco para que a vida do Boca fosse facilitada. Utilizaram até revólver. Ora, mas qual seria o motivo desta atitude? É simples. O Estudiantes, rival do Gimnasia, é um dos candidatos ao título.

Abandonando a má fase com Abán?

O Argentinos Juniors não faz uma boa campanha no Apertura. É o 16º. colocado, com 15 pontos. Tentando melhorar a situação, o clube acertou o empréstimo, até junho de 2007, do atacante Gonzalo Abán, que estava no River Plate.

Abán, de 19 anos, ainda não fez sua estréia. Neste domingo, seu novo time perdeu para o Rosario Central por 2 a 1. Damián Ledesma foi o autor dos dois gols dos ‘Canallas’. O primeiro deles, aliás, foi marcado logo no minuto inicial.

Ao mesmo tempo em que o reforço do Argentinos não entra em campo, a torcida se preocupa. Em março deste ano, Abán disputou sua primeira partida profissional, atuando pelo River. Teve a oportunidade de jogar 826 minutos na equipe principal dos ‘Millonarios’ e marcou apenas um gol (contra o Paulista). Nem sempre Abán foi titular, é verdade. Mas os números assustam. Além disso, Abán não atuou e também não ficou no banco neste Apertura. Portanto, já está desacostumado com o futebol da série A. Daniel Passarella, sem dúvida, teve motivos para não querer escalá-lo.

Apesar de Abán não ter recebido chances de Daniel Passarella recentemente, o técnico da seleção argentina sub-20, Hugo Tocalli, tem colocado seu nome nas listas de convocação. Inclusive, o jovem já marcou vários gols pela seleção, que se prepara para o Campeonato Sul-Americano. Seria correto, então, dizer que Abán ainda não está maduro para permanecer entre os profissionais? Afinal, nota-se que, até o momento, o seu sucesso aconteceu somente nos juniores.



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