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‘Maioridade Penal – 18 anos de histórias da marca de cal’
Rogério Ceni e Andre Pilhal
Panda Books
2009

Maioridade Penal – 18 anos de histórias da marca de cal

Postado em 16/11/2009 às 10:00 por Alexandre Kazuo Aoki

Foi feito algum alarde em torno desta autobiografia escrita pelo goleiro Rogério Ceni e organizada pelo jornalista Andre Pilhal. É preciso ter alguma isenção aqui para analisar e tomar algum juízo a respeito da obra. Se o leitor torcer para algum clube rival do São Paulo Futebol Clube, ‘Maioridade Penal’ é contra-indicação. Se o leitor não tem interesse em ler sobre personalidades que se auto-enaltecem, ‘Maioridade Penal’ também é contra-indicação. Trata-se de uma autobiografia. Quem escreve, escreve porque quer e escreve o que quiser. Ninguém é obrigado a ler.

O estilo é leve. São textos curtos onde o goleiro Rogério Ceni apresenta os fatos mais interessantes dos seus dezoito anos de carreira. A verve se aproxima muito da crônica, no Brasil estilo consagrado (e hoje em dia mal praticado) na expressão do tema futebolistico. Ceni parte da conquista do hexacampeonato brasileiro em 2008 para depois retornar aos primórdios de sua carreira. Como qualquer ser humano, Rogerio Ceni aponta o que gosta e o que não gosta. Deixa bem clara a sua devoção para com o clube tricolor do Morumbi, é gentil com ex- técnicos tais quais Mario Sergio e Paulo Cesar Carpegiani, fala sobre sua técnica com os pés e cobranças de faltas.

Assim como também aborda temas polêmicos como sua suspensão interna de atividades na temporada de 1998. Uma suposta proposta do Arsenal teria sido forjada pelo goleiro que estaria forçando sua saída do clube. No capítulo, Rogério Ceni assume não poder escrever tudo sobre o ocorrido pois estaria se sujeitando a processos que inviabilizariam inclusive a publicação da obra. Dá a entender que seriam entreveros internos do próprio clube durante a gestão José Dias pouco antes da gestão Marcelo Portugal Gouveia. Outra polêmica que Rogério Ceni faz questão de tocar é aquela no que dizia respeito a sua relação com o meia Ricardinho (hoje no Atlético MG) que jogou pelo São Paulo por volta de 2002, 2003. Ceni assume rusgas dentro daquele elenco sim, mas não entre ele e o meia que saiu do Corinthians para defender o rival. Ao redor deles estava aquela geração que contava com Julio Baptista, Fabio Simplicio e Kaká e os rumores de que aqueles atlétas oriundos da base não se davam bem com o próprio Rogério Ceni sempre foram muito fortes.

Dentre fatos de bastidores temos vários. Sobre a lendária conquista da Taça Conmebol em 1994 que o São Paulo venceu com seu ‘expressinho’; a respeito de sua participação no torneio Tereza Herrera (na Espanha em 1993) como titular onde houve um encontro com o ídolo Dino Zoff na ocasião dirigindo a Lazio. Bem como também são apresentados bastidores da dolorosa eliminação da Libertadores 2004 e suas consequências. Os bastidores dos momentos gloriosos óbviamente também surgem. A conquista da Libertadores 2005 e dos três Campeonatos Brasileiros subsequêntes em 2006, 2007 e 2008. Mas neste quesito ‘dentro das quatro linhas’ os relatos mais impactantes são aqueles que Rogério escreve sobre seu início como reserva e espectador privilegiado do período glorioso do começo dos anos 90. Raí, Toninho Cerezo, Müller e Palhinha são devidamente enaltecidos. O ponto alto são as recordações da derrota para o Velez Sarsfield na final da Libertadores de 1994 em pleno Morumbi.

Rogério se defende de algumas ‘pisadas na bola’ como o gol tomado de ‘forma esquisita’ contra o Palmeiras num chute de Leo Lima na semi-final do Paulista de 2008. E dá umas pisadas na bola também como no capítulo ‘Aposte sempre no melhor’ onde ele se mostra melhor goleiro do que analista futebolistico. Ao fim há uma caprichada galeria de camisas utilizada pelo goleiro durante toda a sua carreira bem como uma ótima galeria de fotos, ambas as galerias impressas em papel especial.

O resultado final é um pouco previsível. Para os torcedores e aficcionados pelo goleiro, trata-se de um prato cheio. De relevante fica um registro inquestionável de alguém que protagonizou aquele que pode ser o mais glorioso período de toda a história do São Paulo Futebol Clube. Torcedores ‘não são paulinos’ de cabeça mais aberta podem ver alguma diversão nesta leitura. Para os detratores aconselha-se não chegar perto. Diz a sabedoria popular que um homem precisa plantar uma árvore, escrever um livro e procriar. Rogério Ceni incluiu nesta conta uma meia dúzia de troféus e uma citação no Guiness Book de maior goleiro artilheiro.


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