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Pep Guardiola

Nome completo:
Josep Guardiola i Sala

Data de nascimento:
18/01/1971

Posição:
Volante

Clubes que defendeu:

Barcelona, Brescia, Roma, Al-Ahli e Dorados de Sinaloa

Seleção:

Espanha
Jogos: 47
Gols: 5

Catalunha
Jogos: 7
Gols: 0

Títulos:

- Campeonato Espanhol (6 vezes)
- Copa do Rei (2 vezes)
- Supercopa da Espanha (4 vezes)
- Liga dos Campeões da Europa (1991-92)
- Recopa Europeia (1997)
- Supercopa da Europa (2 vezes)
- Medalha de ouro nas Olimpíadas (1992)

Guardiola: Moderno em tempos “antigos”

Postado em 15/5/2009 às 10:22 por Gabriel Dudziak


Josep Guardiola

Quando assumiu o comando do Barcelona em junho de 2008, pouca gente acreditou que Pep Guardiola, um treinador novo e sem grande experiência no mundo do futebol, seria capaz de colocar os blaugrana novamente no caminho dos títulos. Não demorou muito para que os críticos se calassem com o futebol ofensivo, plástico e efetivo praticado pela equipe espanhola tanto em nível nacional, quanto continental. Para muitos foi uma surpresa, mas não para aqueles que se lembram dos feitos desse homem como jogador e capitão do Barcelona. Hoje, é impossível falar de Xavi, Iniesta e Fabregas sem fazer referência e reverência às características que fizeram de Pep um jogador único em seu tempo.

Ascensão relâmpago

Josep Guardiola i Sala nasceu em 18 de janeiro de 1971 na cidade de Santpedor, localizada na província de Barcelona. Começou a jogar futebol muito jovem e aos 13 anos deixou o pequeno Gimnàstic de Manresa para ingressar nos juniores do FC Barcelona. Nas categorias de base dos blaugrana, logo se destacou como um promissor meio-de-campo, sendo promovido à equipe principal em 1990 pelo técnico Johan Cruyff. Sua estreia pelos titulares aconteceu em 16 de dezembro daquele ano com a camisa 10 do Barça na vitória por 2 a 0 sobre o Cádiz.

Depois da estreia, Pep ganhou a confiança de seu treinador e em pouco tempo se firmou como o dono da cabeça de área do Barcelona. Sua ótima visão de jogo e habilidade de bater na bola, bem como suas características de marcação, fizeram do jovem espanhol uma das peças chaves para, ao lado de Ronald Koeman, dar a consistência defensiva que uma equipe que tinha Bakero, Stoichkov e Laudrup precisava.

Ao lado dos habilidosos companheiros, Guardiola conquistou, em sua primeira temporada como profissional, o título do Campeonato Espanhol e da Supercopa da Espanha. Na temporada seguinte, Pep foi um dos pilares daquele que viria a ser conhecido posteriormente como o Dream Team do Barcelona, garantindo uma marcação firme e saída de bola precisa com sua visão de jogo apurada e lançamentos precisos para Stoichkov e Laudrup. Por conta das qualidades já citadas e liderança e carisma notórios para alguém de tão pouca idade, Guardiola era tido como um dos líderes do time e o homem de confiança de Cruyff dentro das quatro linhas.

Na temporada 1991-92, com um time mais entrosado e efetivo, o Barcelona venceu novamente o título nacional e faturou a Copa dos Campeões da Europa com uma vitória emocionante sobre a Sampdoria na prorrogação. As atuações impecáveis na cabeça de área do melhor time do continente renderam a Guardiola uma convocação para a seleção olímpica da Espanha que disputaria e ganharia o ouro nos Jogos de Barcelona em 1992. Poucos meses depois foi convocado para a seleção principal para um jogo contra a Irlanda do Norte e recebeu o Trofeo Bravo daquele ano, prêmio dado à revelação europeia da temporada.

O Dream Team e a braçadeira de capitão

As duas épocas seguintes serviriam para consolidar a hegemonia do Barça em território nacional com a conquista de mais dois títulos da Liga e da Copa do Rei. No entanto, o timaço formado nos anos anteriores e reforçado por Romário a partir de 93, não foi capaz de conquistar novamente a Liga dos Campeões da Europa, o que deixou os torcedores com a sensação de que Dream Team poderia ter ido ainda além do que foi. Guardiola, no entanto, continuou evoluindo e criando toda uma mística em torno da camisa 4 blaugrana.

Além de ídolo do Barcelona, Pep era também um símbolo para o povo da Catalunha. Entusiasta da região espanhola, defendia a criação de uma seleção nacional de futebol catalã, além de fazer questão de comemorar diversos títulos enrolado em uma bandeira da Catalunha.

Os anos seguintes foram de mudanças, com troca de técnicos e a chegada e saída de grandes jogadores. O que não mudou foi a titularidade de Guardiola e sua liderança e carisma absolutos com a camisa do Barcelona. Em 1994 participou de dois jogos da Copa do Mundo, marcando um gol de pênalti e, depois de duas temporadas sem tanto brilho, tornou-se capitão do clube com a aposentadoria de Jose Bakero. No mesmo ano o Barça voltou ao caminho dos títulos se sagrando campeão da Liga e da Copa do Rey em 1997-98 e 1998-99 e da Recopa Europeia de 1997. Titular da Espanha durante as eliminatórias para a Copa de 98, acabou não indo à França em virtude de uma lesão.

Tour pelo mundo do futebol

O domínio do Real Madrid no início da década 2000 parecia um sinal de que a época vitoriosa do Barça havia ficado para trás. Envolto no mau momento do time, Guardiola, o único remanescente daquela equipe, teria pouco o que comemorar nos anos seguintes. Titular da seleção na Euro 2000, não foi capaz de evitar a derrota para a França nas quartas-de-final. Na sequência, em agosto daquele ano, sofreu nova lesão que o tirou de boa parte da temporada.

O mau momento do clube e os projetos do atleta fizeram com que em 2001, Guardiola, então com 30 anos de idade e 17 de Barcelona, decidisse que aquele era o momento de deixar o clube espanhol. Segundo ele pesaram em sua decisão o desejo de conhecer outros clubes, ligas e países, e o fato de se encontrar “mentalmente farto” e em uma condição que lhe impedia de dar o melhor por seu clube.

A intenção de Guardiola era fechar com outro grande clube europeu, mas o atleta acabou assinando pelo mediano Brescia da Itália para a temporada 2001-02. Na equipe italiana atuou ao lado de Roberto Baggio, ajudando o clube a chegar à fase final da Intertoto e se safar do rebaixamento. Ainda em 2002 acabou ficando fora novamente de uma Copa do Mundo ao se lesionar antes do mundial.

As boas atuações pelo Brescia despertaram o interesse da Roma, que fechou sua contratação para o campeonato seguinte. A história de Pep nos Giallorossi, no entanto, não foi duradoura. Preterido por Fabio Capello, o meio-campista acabou voltando ao Brescia no inverno de 2003, ajudando a equipe a terminar o campeonato 2002-03 na décima posição.

Em 2003 decidiu que era hora de mudar de ares novamente, e assinou como Al-Ahli do Catar. Atuou no país asiático por duas temporadas até se transferir para o Dorados de Sinaloa, do México, em 2006, onde terminou a carreira aos 35 anos de idade.

Até hoje é lembrado como um dos maiores jogadores da história do futebol espanhol e um dos primeiros volantes do futebol moderno a unir com maestria a forte marcação com a habilidade de armar o jogo e apoiar o ataque. Mesmo assim, lenda não é a imagem que Guardiola guarda de seus anos no futebol. “Não sou um mito. Mitos são coisas pura lenda, são inacessíveis, imateriais. Eu não. Eu sou acessível, gosto de golfe, sou catalão e jogador de futebol”, afirma.


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