Real Salt Lake: pequeno que feriu Beckham |
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Postado em 10/12/2009 às 9:08 por Marcelo Danoski Cabral
Jogadores comemoram vitória
De um lado, o favorito e badalado. Com David Beckham, atrás do primeiro título na América, e Landon Donovan. Do outro, a zebra que tinha, segundo os analistas, menos de 10% de chances de vitória. E que até então havia conquistado apenas torneios amistosos. Bem ao contrário do adversário, o principal responsável por tornar o futebol dos Estados Unidos em notícia no planeta.
Como futebol é futebol, o Los Angeles Galaxy parou no Real Salt Lake. O goleiro Nick Rimando pegou dois pênaltis e deu a Major League Soccer (MLS) 2009 ao time classificado como morto antes do jogo.
Num dos luxuosos camarotes do Qwest Field Stadium, em Seattle, palco da final, o empresário David W. Checketts vibrava como criança. Ele, cinco anos antes, comunicou a cúpula da Federação de Futebol do país a construção do clube. O modelo era o gigante Real Madrid. Daí o nome e o vermelho e o azul no uniforme, numa alusão à Espanha.
As homenagens tiveram retorno. Em 2007, fãs e ídolos se reuniram e decidiram formalizar uma aliança. Uma academia de futebol está sendo montada em Salt Lake City. Na prática funciona assim: quem se destacar vai para o Santiago Bernabéu. Quem ficar será aproveitado ou negociado.
O Atlético Paranaense do primeiro mundo
Numa comparação com o futebol do Brasil, o Real Salt Lake, nos Estados Unidos, equivale ao Atlético Paranaense. Raramente favorito, mas que às vezes incomoda. E chega. A exemplo do time de Curitiba, bastou o norte-americano inaugurar um moderno estádio para levantar a taça de campão nacional.
O Rio Tinto Stadium foi inaugurado em 2008. Custou 115 milhões de dólares aos cofres da empresa de David Checketts. Cabem 20 mil pessoas sentadas em confortáveis cadeiras. Cerca de 5 mil ficam vazias a cada jogo. Uma excelente média no país do basquete, beisebol e do futebol das mãos e do touch down.
Quase todos os atletas/alunos formados na academia vão jogar lá e viver a rivalidade com o Colorado Rapids, de Denver. No fim de cada ano, o vencedor dos confrontos entre os dois pela MLS recebe um troféu. O Real Salt Lake tem três.
Os poucos “fora de série” serão imediatamente colocados num avião e mandados para o Madrid, que banca metade das obras. Com ou sem eles, os merengues jogarão um amistoso contra o Real a cada dois anos no Rio Tinto.
Vida nova depois da construção do estádio
Até a construção do estádio, o Real Salt Lake atuava no Rice-Eccles, de futebol americano. As temporadas por lá foram ruins. Em 2005, 2006 e 2007, o time só apanhou e fez péssimas campanhas. Ficou duas vezes em último e uma em penúltimo da Conferência Oeste.
Apenas em 2008, quando passou a jogar no Rio Tinto, já no fim do ano, conseguiu chegar aos playoffs. Em 2009, de novo. Mas dessa vez foi indo, indo e acabou campeão.
Nos Estados Unidos, o campeonato é dividido em dois grupos – a Conferência Leste e a Conferência Oeste. Os times jogam entre si dentro das chaves. Os campeões de cada e os seis melhores (não importando de qual conferência pertençam) avançam para os playoffs, ou seja, quartas-de-final.
Quatro para cada lado e novas chaves. Aí o sistema é idêntico ao da Liga dos Campeões da Europa. Mata-mata em dois jogos. As semifinais são em jogo único. A final, também em única partida, é disputada num estádio anunciado antes do início da competição. Empate nos 90 leva aos pênaltis.
Real x Real no Mundial da Fifa
Foi o que aconteceu em Seattle. No fim do primeiro tempo, Beckham arrancou do meio até a intermediária. Lançou para a direita. O lateral, como se fosse com a mão, cruzou na cabeça do centroavante. 1x0 e favoritismo se confirmando.
Na segunda etapa, o técnico Jason Kreis mudou de estratégia. Jogou o time no ataque. Aos 17, o atacante e estrela Robbie Findle, na grande área, aproveitou um rebote para marcar o gol de empate: 1x1.
Nos pênaltis, Donovan perdeu. O goleiro Nick Rimando defendeu duas cobranças e levou a Major League Soccer para Salt Lake City. Junto, uma vaga na Liga dos Campeões da Concacaf e o sonho de bater de frente com o Real Madrid no Mundial da Fifa
Freddy Adu e o carioca
O currículo dos campeões é modesto. Nada extravagâncias nos salários. O mais famoso dos jogadores é o zagueiro Eddie Pope, que esteve nas últimas três Copas. Quando Robbie Findle não vai bem, Jason Kreis, segundo técnico da historia do clube e jogador dele até 2007, chama o carioca Pablo Campos, com passagens por Guarani e Botafogo.
O brasileiro desembarcou em Salt Lake neste ano. Tarde demais para dividir o vestiário com a promessa de craque Freddy Adu, que jogou a temporada 2007, quando marcou 19 gols. Atualmente defende o Belenenses, de Portugal.